{"id":2114,"date":"2017-12-22T16:10:05","date_gmt":"2017-12-22T16:10:05","guid":{"rendered":"http:\/\/lopescancado.adv.br\/blogger\/?p=2114"},"modified":"2017-12-22T16:10:05","modified_gmt":"2017-12-22T16:10:05","slug":"juiza-condena-trabalhador-que-se-acidentou-a-pagar-r-20-mil-de-honorarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lopescancado.adv.br\/?p=2114","title":{"rendered":"Ju\u00edza condena trabalhador que se acidentou a pagar R$ 20 mil de honor\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>16 de dezembro de 2017<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseada na reforma trabalhista, uma ju\u00edza de Canoas (RS) rejeitou pedido de um almoxarife que queria ser indenizado por acidente a caminho do servi\u00e7o. Perdedor da a\u00e7\u00e3o \u2014 ajuizada antes da vig\u00eancia da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/L13467.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei 13.467\/2017<\/a>\u00a0\u2014, ele foi condenado a pagar R$ 20 mil de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia ao advogado da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o, por\u00e9m, tem um\u00a0detalhe: a cobran\u00e7a fica suspensa por dois anos para que o trabalhador se estruture financeiramente. Se ap\u00f3s esse per\u00edodo o procurador da empresa n\u00e3o comprovar que o ex-empregado tem\u00a0recursos suficientes, a d\u00edvida ser\u00e1\u00a0extinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor queria responsabilizar a empresa por acidente de tr\u00e2nsito que sofreu em 2011, quando ia de motocicleta ao trabalho.\u00a0Ele afirmou que sempre fazia o trajeto de \u00f4nibus da pr\u00f3pria empresa, mas na data do epis\u00f3dio o motorista esqueceu de passar no ponto combinado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2115 alignleft\" src=\"http:\/\/lopescancado.adv.br\/blogger\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/mat1.jpeg\" alt=\"mat1\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p>Almoxarife queria receber pens\u00e3o vital\u00edcia por acidente com motocicleta, mas ju\u00edza atribuiu responsabilidade a terceiro.<\/p>\n<p>O trabalhador ficou afastado e, com sequelas, voltou a atuar meses depois com restri\u00e7\u00e3o parcial das atividades.\u00a0Demitido em 2015,\u00a0quando a empresa fechou sua unidade de Canoas,\u00a0entrou com processo cobrando pens\u00e3o vital\u00edcia, alegando que a empresa teve culpa em seu acidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ju\u00edza Adriana Kunrath, da 5\u00aa Vara do Trabalho de Canoas, discordou do pedido. Para ela, a culpa do acidente foi de terceiro \u2014 motorista de ve\u00edculo que atingiu a moto num cruzamento \u2014, afastando nexo causal com a antiga empregadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o acidente ter sido considerado como de trabalho para fins previdenci\u00e1rios, a ju\u00edza escreveu que a responsabilidade objetiva da empresa s\u00f3 existe quando h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre a atividade laboral desempenhada e o acidente ocorrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 irrelevante na esp\u00e9cie o fato de o \u00f4nibus ter ou n\u00e3o passado na casa do autor, porquanto dito acidente tamb\u00e9m poderia ter ocorrido com \u00f4nibus em que os empregados da reclamada s\u00e3o levados ao trabalho e ainda assim a reclamada n\u00e3o teria responsabilidade, visto que decorrente do descuido do outro motorista que acessou a via principal, em confronto com o outro ve\u00edculo que j\u00e1 transitava nesta mesma via\u201d, diz a senten\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aplica\u00e7\u00e3o da nova lei<\/strong><br \/>\nAo perder, o ex-funcion\u00e1rio\u00a0foi condenado a pagar 10% do valor da causa (R$ 200 mil),\u00a0como honor\u00e1rios sucumbenciais. A ju\u00edza baseou seu pedido nas novas regras estabelecidas pela reforma trabalhista, embora o processo tenha sido ajuizado antes da norma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0artigo 791-A da CLT\u00a0fixa a verba entre 5% e\u00a015% sobre o valor da liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, do proveito econ\u00f4mico obtido ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-lo, sobre o valor atualizado da causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adriana, entretanto, fixou prazo de dois anos para o pagamento e determinou que a d\u00edvida seja extinta caso o advogado da empresa n\u00e3o possa comprovar que o ex-empregado apresenta\u00a0\u201cmudan\u00e7a na condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do autor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advogado do trabalhador,<strong>\u00a0Maur\u00edcio Ricardo Alves<\/strong>, j\u00e1 apresentou recurso. Para ele, aplicar\u00a0a verba sucumbencial s\u00f3 poderia ser imposta em processos iniciados depois que a reforma entrou em vigor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base em tese aprovada em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2017-out-10\/juizes-aprovam-teses-contrarias-aplicacao-reforma-trabalhista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jornada da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra)<\/a>, o advogado considera que a condena\u00e7\u00e3o contraria a garantia da n\u00e3o surpresa e o princ\u00edpio da causalidade \u2014 \u201cexpectativa de custos e riscos (&#8230;) aferida no momento da propositura da a\u00e7\u00e3o\u201d, conforme o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornadanacional.com.br\/listagem-enunciados-aprovados-vis1.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Enunciado 98<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Clique\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/juiza-condena-trabalhador-acidentou.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>\u00a0para ler a decis\u00e3o.<br \/>\n0021016-85.2016.5.04.0204<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>16 de dezembro de 2017 Baseada na reforma trabalhista, uma ju\u00edza de Canoas (RS) rejeitou pedido de um almoxarife que queria ser indenizado por acidente a caminho do servi\u00e7o. 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