Participação da Lopes Cançado, juntamente com a OAB-Jovem, em debate sobre reforma política na UnB

02
jul, 2013

Atualmente, 5% dos deputados federais são eleitos por votos próprios e 95% estão na Câmara por votos ganhos pelo partido. O dado foi trazido pelo professor emérito do Instituto de Ciência Política (IPol), David Fleischer, ao ilustrar o quadro político atual. Para o secretário geral da OAB Nacional, Claudio da Souza Neto, a estrutura política do país é cara, de difícil fiscalização e pouco representativa. “Uma eleitora vota numa candidata feminista, mas pela distribuição de votos por partido, acaba assumindo um candidato com uma ideologia contrária. A vontade dessa eleitora não foi respeitada pelo sistema”, exemplificou o secretário.

Motivados pela recente explosão de manifestações anticorrupção pelo país, representantes do governo, professores e alunos se reuniram no auditório do Memorial Darcy Ribeiro nessa quinta-feira (27) para discutir a reformulação do sistema político do país. A vice-reitora Sônia Báo apontou a Educação como ponto chave para refletir sobre qualquer reforma no Brasil. “No momento que penso em mudanças, acho que é necessário mudar primeiramente a Educação”, disse. “Uma população bem instruída produz saúde de qualidade, mais segurança. Então, a meu ver a prioridade deveria ser a Educação”, completou Sônia.

“É justa a indignação contra a política e os políticos do Brasil. Mas não se enganem: sem a política nós não iremos a lugar algum”, explica o deputado federal Roberto Freire (PPS/SP). Para Freire, o país está numa revolta coletiva contra o sistema político atual, mas a discussão deve ser articulada na mudança desse sistema, não no seu extermínio. O senador Rodrigo Rollemberg (PSDB/DF) concordou que apesar da indignação popular, a política brasileira evoluiu com o passar dos anos. “Há 30 anos, esse tipo de debate seria impossível. Graças à política, que nos garantiu o direito à livre expressão, e à democracia que estamos aqui hoje”, disse.

O subprocurador-geral da República e professor da Faculdade de Direito, Antônio Augusto Aras, acredita que embora os partidos políticos sejam herança do período da Ditadura, eles podem ser usados como mecanismo efetivo de representação popular. Porém, segundo o professor, não é o que tem acontecido no país. “O que estamos presenciando, hoje, é que os partidos políticos viraram sinônimos de grandes negócios no Brasil”, aponta.

Gabriela Rollemberg, advogada atuante na área de Direito Eleitoral, afirma que a falta de conhecimento coletivo a respeito da política eleitoral é lamentável num país que se declara democrático. “É um absurdo que a população não saiba qual a função de um governador, um deputado, ou senador nem como funciona, na prática, a eleição”, disse a advogada.

O evento foi idealizado pelos alunos André Bertran, do curso de Biologia, e Daniella Jinkings, estudante de Filosofia, com apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE). “O DCE não é da gestão, mas sim dos estudantes, nós sempre iremos apoiar esse tipo de iniciativa”, disse o membro do diretório Fábio Lima.

Fonte: UNB Agência

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